Autoridades do Japão investigam um incidente gravíssimo ocorrido no Aeroporto Internacional de Haneda, em Tóquio, onde duas aeronaves quase se chocaram no ar. O episódio envolveu um avião comercial da All Nippon Airways, transportando 197 pessoas a bordo no trajeto vindo de Xangai, na China, e uma aeronave modelo Cessna pertencente ao governo japonês. A colisão foi evitada após o sistema de bordo emitir um alerta anticolisão, forçando os pilotos a interromperem a aproximação para o pouso de forma emergencial.
Apesar do susto capturado por plataformas de monitoramento de tráfego aéreo, as operações do maior aeroporto da capital japonesa não sofreram interrupções e ninguém ficou ferido. As autoridades locais abriram apuração para identificar as falhas de comunicação e coordenação que permitiram a aproximação perigosa entre os dois veículos.
Série de quase acidentes acende alerta na aviação civil
O caso registrado em Tóquio não é isolado e soma-se a uma sequência recente de ocorrências semelhantes pelo mundo. Recentemente, na Europa, dois voos comerciais receberam alertas do TCAS (Sistema Anticolisão de Tráfego) enquanto sobrevoavam o Oceano Atlântico. As tripulações de um voo de Recife para Madri e de outro que fazia o percurso inverso, de Madri para Guarulhos, precisaram alterar as rotas rapidamente para evitar o choque.
Em outro registro recente na América do Sul, aviões da Latam e da Aerolíneas Argentinas chegaram a colidir levemente na pista do Aeroporto de Santiago, no Chile. Apesar de o impacto em solo ter causado apenas danos materiais sem deixar feridos, os sucessivos episódios têm colocado as agências internacionais sob estado de atenção reforçado.
Fator humano e desatenção explicam risco no ar
Especialistas na área de segurança operacional avaliam que a evolução das tecnologias de navegação trouxe novos desafios para a gestão de voo. Segundo a análise do perito aeronáutico e neurocientista Daniel Calazans, o avanço tecnológico maciço nas últimas décadas acabou contribuindo para a redução do foco e da atenção primária dos operadores.
Para Daniel Calazans, a dependência excessiva de instrumentos eletrônicos, como tablets e telas automatizadas no cockpit, tem afetado a atenção e a prontidão dos profissionais. Ele destaca que quase a totalidade das situações de quase colisão e falhas na aproximação está diretamente associada ao fator humano e ao modelo de formação dos profissionais de aviação e controladores de tráfego. As investigações no Japão seguem em andamento sob a coordenação do órgão regulador de aviação civil do país.