Os afastamentos do trabalho com duração superior a 15 dias motivados pelo esgotamento profissional (burnout) dispararam 296% no Brasil, saltando de 1.760 casos em 2023 para quase 7.000 em 2025, segundo dados do INSS.
A alta reflete o impacto dos ambientes de trabalho desgastantes na saúde mental dos trabalhadores em todo o país e atinge também o Vale do Paraíba, onde o pronto atendimento de saúde mental do Hospital Francisca Júlia, em São José dos Campos, contabilizou 287 diagnósticos da síndrome entre janeiro e 22 de setembro.
Falta de limites corporativos e programas de prevenção
Um levantamento da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) junto a empresas que somam 300 mil funcionários expõe a escassez de políticas de prevenção nas organizações. O estudo revela que 89% das empresas pesquisadas não possuem regras para proibir o envio de mensagens fora do horário de expediente. Além disso, 65% das instituições não mantêm programas para prevenir riscos à saúde mental.
Especialistas ressaltam que o burnout é um fenômeno estritamente associado ao trabalho, decorrente do mau tratamento contínuo ou do abuso de autoridade, levando o profissional a somatizar sintomas emocionais e físicos.
Sintomas, tratamento e o impacto na vida do trabalhador
Diferente do cansaço comum, o burnout gera exaustão física e mental acompanhada pelo distanciamento das tarefas profissionais e por uma sensação de incapacidade e improdutividade.
O avanço dos sintomas costuma ocorrer de forma progressiva, como no caso do trabalhador Júlio, que passou a sentir ansiedade, tristeza, dores no peito, dores de cabeça constantes, irritabilidade e perda do prazer em trabalhar após retornar de um afastamento médico.
Inicialmente acreditando ser o único responsável pela situação, ele buscou apoio profissional e recebeu o diagnóstico de burnout. O tratamento para o quadro inclui sessões de psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico com prescrição de medicamentos.
Medidas para combater o esgotamento profissional
Especialistas em recursos humanos destacam que as empresas podem evitar o afastamento de colaboradores adotando práticas simples de gestão:
- Controle da carga horária: Evitar a exigência recorrente de horas extras além das 8 horas diárias de trabalho.
- Dimensionamento de equipe: Dimensionar a mão de obra e contratar novos funcionários quando a demanda de trabalho for excessiva.
- Liderança saudável: Desenvolver lideranças preparadas e criar planos de ação contínuos para mitigar agentes estressores no ambiente corporativo.